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Custou mas foi. A «carretera» alcatroada entre Navasfrias, do lado espanhol, e Foios e Aldeia do Bispo em terras portuguesas vai ser uma realidade até Outubro do próximo ano. Acessos mais rápidos entre os dois lados da raia sabugalense trarão evidentes benefícios para todos.
«Água mole em pedra dura tanto dá até que fura.» Assim diz o ditado e, na verdade, assim tem acontecido. Nada cai do Céu. Mas vale a pena lutar.
Quando já muita gente pensava que as chamadas estradas da raia, Navasfrias – Foios – Aldeia do Bispo, eram uma utopia e que nunca seriam feitas, eis que se vão tornar realidade.
Esses dois troços foram colocados a concurso, pela Diputación de Salamanca, até ao dia 19 de Dezembro de 2007 e têm como data limite, para conclusão, Outubro de 2008.
É de inteira justiça referir o empenhamento do Alcalde de Navasfrias, Celso Ramos, bem como do Presidente da Câmara do Sabugal, Manuel Rito.
Não me restam dúvidas que muito irão contribuir para o progresso e desenvolvimento desta bonita zona raiana.
(Clique na imagem do documento para ampliar).
«Nascente do Côa» de José Manuel Campos
jmncampos@gmail.com
Ceuta, a doença das línguas, os sindicatos e a felicidade humana são os quatro (dis)sabores de Outono.
– O primeiro dissabor deste seco Outono tem a ver com as saudades que Portugal deixou em algumas terras por onde passou e que civilizou ao modo europeu.
Ceuta foi jóia da coroa portuguesa, a primeira jóia ultramarina desde 1415. Doada a Inglaterra nos fins do século XVII, tornou-se espanhola. El-Rei de Espanha visitou Ceuta e a população clamou «Olé Espanha!», encheu as ruas de bandeiras espanholas. Portuguesas, nem uma única. O mesmo sucede dia-a-dia em Olivença. Ninguém quer Portugal? Que fizémos (ou não fizémos) para sermos desprezados?
– O segundo dissabor é o da doença das línguas.
Nos campos, morrem os gados ovino e bovino de língua azul.
Nas escolas secundárias, morrem os estudantes de língua portuguesa.
Nas provas de Maio, inscreveram-se 250 mil alunos. Só 11 por cento (27500) atingiram um nível positivo. Portanto, para os estudantes, a língua portuguesa é doença bem pior do que a língua azul.
Quem falha? Alunos que não aprendem ou professores que não ensinam?
– O terceiro dissabor é matéria sindical.
Os partidos que se dizem defensores dos trabalhadores e as suas intersindicais correias de transmissão parecem estar adormecidas.
Ora, se guardados os regulamentos, os alunos passam de classe mesmo faltando às aulas, é tempo de aqueles defensores reivindicarem o direito dos trabalhadores ao salário, mesmo que não compareçam no local de trabalho. Ou há moralidade ou comem todos.
– O quarto e bem mais grave dissabor é o da felicidade humana. O senhor doutor Rui Pereira, ministro da Administração, acha que «os seres humanos não foram criados para serem felizes» (sic). É quanto reza o «Correio da Manhã», de 11 de Novembro, dia do in vino veritas.
Já nos constara que a política tinha por meta tornar a cidade feliz. Pelos vistos não tem tal meta. Ou será que os seres humanos, criados para seres felizes e terem vida, e vida em abundância, estão sujeitos a ministros e políticos cuja missão é a da contrariar a luta pela felicidade? E se os homens são fatalmente infelizes, para que servem os políticos e que está lá a fazer o ministro?
Esses proclames que se ouvem por vezes, prometendo uma sociedade mais alegre e mais justa, é então uma balela?
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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