Todos os anos no Domingo de Pascoela a população da Ruvina desloca-se em romaria ao Cabeço de Caria da Atalaia, também conhecido por Cabeço da Senhora das Preces.
Num lugar da Raia, sobranceiro ao Rio Côa com paisagens a perder de vista, situa-se o cabeço de Caria da Atalaia, lugar que hoje pertence ao termo da Ruvina, não sem as habituais disputas e conflitos com a rapaziada das aldeias vizinhas sobre a sua posse.
Das fontes de que dispomos, nomeadamente Joaquim Manuel Correia, nas Memórias do Concelho do Sabugal e das Memórias Paroquiais de 1755, estas disputas entre os rapazes das freguesias vizinhas, tinham como principal objectivo o domínio e a consequente responsabilidade pela realização das festas em honra de Nossa Senhora dos Prazeres, que em Caria da Atalaia, vira Nossa Senhora das Preces.
Para além de vestígios e ruínas que evidenciam o povoamento muito antigo pelo homem deste espaço e o que se compreende pela sua localização como posto avançado de vigia e defesa, o que resta hoje desse passado histórico como património construído, é uma pequena capela, como testemunho de sucessivas gerações no culto à Senhora das Preces.
A festa em honra de Nossa Senhora dos Prazeres e que aqui se transfigura em Senhora das Preces, tem o seu momento culminante no Domingo de Pascoela e é organizada por mordomos da Ruvina que felizmente se acotovelam para o exercício dessas funções, o que é elucidativo da devoção a esta Santa por estas paragens.
No entanto esta festa tem como manifestações perfunctórias, três romagens a pé desde o Cruzeiro que se encontra no sopé do Cabeço, até à Capela localizada bem lá no alto e que ocorrem nas tardes dos três Domingos anteriores ao Domingo de Pascoela, o dia da festa propriamente dito.
No Domingo de Páscoa, os cânticos da romagem em direcção à Capela são as Aleluias num cantar ao desafio entre homens e mulheres, que tenho na memória de criança, assim como as lendas mais que muitas em torno de Caria da Atalaia e do culto à Senhora das Preces, a que voltarei em próxima oportunidade.
Para terminar dir-lhe-ei, que o cabeço de Caria de Atalaia, ou Cabeço da Senhora das Preces apesar de pertencer desde tempos imemoriais ao termo da Ruvina, dista da sede da freguesia cerca de três quilómetros, na direcção do Côa, na estrada municipal que liga as freguesias da Nave à Rapoula do Côa.
José Robalo

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Segunda-feira, 14 Abril, 2008 às 12:30 am
António André
Ao ler este Post do José Robalo, vem-me à lembrança uma tal faceta que convosco partilho:
Preparara-se atempadamente, na adega da minha mãe, o garrafão da gemada, tão costumeira nesta romaria, para que a mesma servisse de mote para o sempre tão desejado convívio no alto do cabeço enquanto a cerimónia festiva ía decorrendo.Não fora ele dia de festa!
Sentindo-lhe o cheiro e o gosto foi-se a ela sorrateiramente um danado ao ponto de pouca ou quase nenhuma deixar.
Quem teria sido o larápio?
Não tardou o álcool a fazer efeito e a resposta surgiu inapelavelmente aos tombos pela encosta, não sendo capaz o moço de dar carreira direita.
Do lado de cá do meio do Atlântico aqui fica a homenagem ao Raul Pinto mais conhecido por Raul do ti António Carrolino.
Abraços! Até à próxima capeia!