No seguimento das nossas conversas com sabugalenses estivemos à fala com Fátima Casanova. O objectivo era conhecer um pouco melhor a autora de «Letras Soltas», descendente de naturais de Aldeia Velha, uma das mais emblemáticas terras da festa da capeia.
A Casa do Concelho do Sabugal foi mais uma vez o local escolhido para as nossas conversas. Os cozinhados do Hélder e a simpatia do Adelino (há mais de 13 anos a trabalhar na Casa) servem sempre de desculpa. Desta feita tinhamos encontro marcado com a Fátima Casanova, filha de Luís Casanova e Elce Fernandes, naturais de Aldeia Velha no concelho do Sabugal.
Fátima tem 20 anos, é estudante de Ciências da Comunicação (vertente jornalismo) na Universidade Nova de Lisboa e responsável pelo blogue «Letras Soltas». O livro virtual foi criado há cerca de dois anos em parceria com a colega de curso Marta Santos que embora resida na Azambuja tem o namorado de Aldeia Velha. A insistência de um amigo levou-as a enviar os escritos publicados no seu blogue às editoras. E a surpresa chegou do Norte. A «Corpos Editora», do Porto, mostrou-se interessada em publicar os pensamentos das duas jovens que percorrem o universo sempre misterioso do espírito feminino na sua juventude.
«Letras… Soltas. Desenhando a Minha Vida.» Assim começa o livro da autoria de Fátima Casanova e Marta Santos que se encontra à venda na Livraria Sá da Costa, no Chiado, em Lisboa e tem previsto para breve um lançamento na FNAC.
A viver no Estoril frequentou o Colégio dos Salesianos (a irmã Cláudia segue-lhe as pisadas) onde alcançou dois quadros de honra para os melhores alunos. O seu gosto pela leitura chegou a criar alguma preocupação em casa. «A garota passa o tempo no quarto a ler», queixava-se o pai. «Estou a colaborar com o programa radiofónico do Instituto Técnico de Lisboa em eventos e reportagens. O meu objectivo é seguir o jornalismo de rádio», diz-nos com a certeza de quem sabe o que quer.
«Sou uma aficionada pelas capeias. Fui mordoma das festas de Aldeia Velha do Ano Novo de 2004 quando fiz 18 anos e no Verão de 2005. Sempre que posso vou até lá» assume com orgulho a Fátima.
E nós terminamos com um extracto de uma das Letras Soltas: «…Miguel Torga tinha razão. Sentimos a nossa força renovada no calcarroar das empedradas ruas do nosso pedacinho no Interior, no expirar do ar frio e seco que nos envolve até aos ossos, e nos cheiros, tão naturais, como se percorrêssemos uma extensa quinta de animais entre as casas, a igreja, a escola, as tascas e os cafés ou bares. E numa embriaguez apática do quotidiano de ecrãs negros, redescobrimo-nos intelectual e emocionalmente…»
jcl

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